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Fonte: Revista AutoPower Março 2003 - Ano 02 - nº 21
Nesta segunda fase da serie de matérias sobre o nosso 300 ZTR, falaremos da performance original do veiculo, medições e
os resultados dos testes. Inclusive com as novas rodas OZ, modelo Superleggera de 18x7 polegadas, que foram calcadas com
os pneus Yokohama AVS Sport medindo 225/40. Os testes foram efetuados com equipamentos de ultima geração e profissionais no ramo.
A intenção dos testes é passar aos nossos leitores tudo sobre o resultado de instalação dos componentes que equipam nosso Ford Focus,
independente do resultado positivo ou não. A lisura e fidelidade dos nossos testes seguem o mesmo padrão responsável da revista, ou seja,
imparcial e honesta com seus leitores. Os testes da fase 1 são referentes a performance do carro completamente original e equipado com
rodas e pneus especiais como já descrevemos. Nenhuma outra alteração foi feita no veículo testado.
A Pista
Para a nossa bateria de testes, utilizamos a pista do aeroporto antigo e desativado de Maringá (PR), que foi gentilmente cedido pela
prefeitura municipal. Aproveitamos a oportunidade para agradecer ao secretario de transportes, Gilberto Purpur, que alem de nos atender
prontamente, colaborou nas medições e sessões de fotos, nosso muito obrigado. A pista possui 30 metros de largura e 1500 m de comprimento,
seu asfalto esta em perfeitas condições e possui inclinação inferior a 10 graus em sua extensão. Os testes foram realizados com temperatura
entre 28-32 graus e muito sol. Um único piloto, o editor Evandro Lima, realizou os testes com o veiculo em todas as etapas.
Metodologia
Veiculo com tanque cheio e com todos os equipamentos originais de fabrica instalados.
As medições forma feitas com o sistema de som que pesa 30 kg no total e o piloto de 115 kg, 1,90m.
Aceleração - É feita partindo da imobilidade e percorremos um trecho de 402m. Neste trecho medimos a aceleração nas seguintes medidas:
0-96 km/h;
0-18,2m;
0-100m;
0-201m;
0-304m;
0-402,25m
Slalom "Snake Head" - 6 cones alinhados com distancia de 14m entre eles. O sétimo cone possui distancia de 10m para o sexto, e é o centro
do semicírculo de 10m de raio. Entrada no circuito foi feita pelo lado esquerdo da pista a uma velocidade limitada de 50 km/h. O teste é medido
em tempo de percurso, sendo efetuados 5 testes para cada jogo de rodas.
Frenagem: 100 km/h a 0 km/h - Teste efetuado com controle antitravamento feito pelo piloto, isto é, não arrastamos os pneus em nenhum teste, controlando
o limite de aderência profissionalmente. Foram 5 testes para cada jogo.
RODAS Originais: em aço estampado possuindo 14x5,5 polegadas
PNEUS Originais: Continental, modelo Super Contact medindo 185/70
ROLAGEM Original: 1,93 m
RODAS Tuning: OZ, modelo Superleggera possuindo 18x7 polegadas
PNEUS Tuning: Yokohama, modelo AVS Sport medindo 225/40
ROLAGEM Tuning: 2,00m
IMPRESSÕES AO DIRIGIR DURANTE OS TESTES DE ACELERAÇÃO LINEAR, COM PNEUS E RODAS ORIGINAIS
Para os testes de aceleração partindo da imobilidade eu arrancava com o contagiros cravado em 4000 rpm, em plena faixa de troque do motor.
Com o torque eu tinha que controlar a saída para que as rodas não perdessem tração. Experimentamos sair com rotações mais elevadas e inferiores,
mas em nenhuma o resultado foi satisfatório. A veia é em 4000 rpm. A primeira marcha é longa e a rotação é levada a 6450 rpm em todas as marchas.
O único defeito deste carro é a distancia entre o escalonamento da primeira para a segunda marcha, o que causa um buraco razoável na troca, pois o
motor sai da faixa de torque máximo quando engatamos a segunda marcha. As outras marchas são perfeitas, mas o diferencial é longo para um motor de
apenas 115 cv e 160 NM de torque. Fizemos 5 passagens e tiramos a média para o resultado onde marcamos 18,468s nos 402m e de 0-100 km/h fizemos em 10,507 segundos.
IMPRESSÕES AO DIRIGIR DURANTE OS TESTES DE ACELERAÇÃO LINEAR COM PNEUS E RODAS ESPORTIVAS
Eu já esperava uma diferença na tração, mas sinceramente, não achei que seria tanta. Logo na primeira largada e acostumado a largar em 4000 rpm e ter que controlar a
aceleração, tivemos uma grata surpresa com os pneus Yokohama. O carro caiu duro. A tração foi tanta na arrancada, que o motor caiu muito de giros, o que fez com que eu
abortasse a largada. Subi 500 rpm para sair a 4500 rpm (ponto máximo de torque do motor) novamente o motor caiu de giros, mas bem menos. O ponto ideal para a arrancada
com este jogo de pneus e rodas foi em 5000 rpm, 1000 rpm a mais que o original. O buraco existente entre a primeira e a segunda marcha, foi acentuado com as rodas 18 e os
novos pneus por dois motivos. Primeiro por que a rolagem é maior, temos 2,00 metros para a roda 18 e 1,93 metros para a 14. Segundo por que de primeira para a segunda não
patinamos mais. Isso fez com que perdêssemos alguns centésimos, mas no frigir dos ovos o carro foi bem mais rápido, marcamos 17,997s na media de 5 passagens. Isso é uma
diferença respeitável, pois tirar 0,471s em apenas 402,25m em um jogo de pneus e rodas é como se adicionássemos 15 cavalinhos ao motor. Se o diferencial fosse um pouco mais
curto então, o tempo cairia na casa dos 17,800s com plena certeza. De 0-100 km/h a diferença foi ainda maior. Fizemos 9,821s e uma diferença de 0,686s. Mais de meio segundo
em um bom jogo de pneus e rodas.
SLALOM COM PNEUS E RODAS ORIGINAIS
Eu já tinha elogiado os pneus da Continental na primeira matéria com o nosso Focus. Este equipamento é fidedigno, confiável e muito estável. Repito que esta matéria não tem objetivo
de fazer um comparativo entre marcas, afinal de contas, são equipamentos completamente diferentes e cada um tem sua função determinada em seus projetos. Fizemos estes testes para esclarecer
ao publico e leitores que a substituição das rodas e pneus originais podem trazer melhoras significativas, contando que escolham equipamentos de ponta e que sejam bem instalados.
Seguindo as recomendações da fabrica, calibramos os pneus com 31 libras na dianteira e 29 libras na traseira. Durante a primeira passagem notei que a calibragem não era o ideal para este tipo de teste radical,
pois os pneus dobravam com certa facilidade, fazendo com que o carro perdesse a estabilidade direcional e a velocidade de ataque. Retornamos e inserimos 34 libras na dianteira e 33 na traseira. O carro melhorou muito e com os
pneus perfeitamente calibrados eu passei a ter o carro na mão. Na seqüência do Slalom, entrei a 50 km/h no primeiro cone e durante os seis cones em linha reta, o carro esparramava um pouco com uma pequena saída de frente nas acelerações.
Para controlar a saída de frente bastava aliviar a pressão sobre o acelerador. Para passar por trás do sétimo cone tinha que tirar o pé do acelerador bruscamente, o que fazia a traseira se soltar. Tudo isso perfeitamente e deliciosamente
controlável. Definitivamente é a manobra mais difícil do "Snack Head". Qualquer vacilo, você literalmente perde o trecho e vê por água abaixo todo esforço inicial. No cone 8, tive que contorná-lo em lata velocidade, mas cuidando para não
esparramar o Focus e não tocar no cone 10. Se entrar muito forte a frente escapa e se nesta escapada tirar o pé do acelerador para tocar o freio ou tentar um punta-taco, a traseira se vai e perderemos tempo no controle. Este cone deve ser
contornado no limite e no menor diâmetro de giro possível, pois se acelerarmos forte a frente vai embora e abre demasiadamente a curva, sem contar que patinaremos acima do necessário. Na saída do cone 8, o carro patinou um bocado, mas
continuou mantendo a tração. Entrou forte no cone 9, e então saímos com mais velocidade ainda para contornar o cone 6 e pegarmos a reta. Marquei em minha melhor passagem 30,969s com o cronômetro disparado no arranque na linha de 5m que
antecipa ao cone 1. Os pneus e rodas originais são perfeitamente aceitáveis para um uso comum. Em alguns momentos ate me surpreendi com a performance em determinadas curvas de media velocidade, mas não pode ser comparado com um jogo esportivo
em nenhuma hipótese. É um pneu "familiar" para um uso comum, sem exageros esportivos.
SLALOM COM PNEUS E RODAS ESPORTIVAS
Depois da substituição e calibragem seguindo as normas do fabricante e feita pela equipe da Motorsport, revendedor Yokohama em Maringá, dei algumas voltas para conhecer "queimar um pouco os pneus". Percorri por varias vezes o trecho em velocidade
média, para sentir o comportamento inicial dos pneus. De cara deu para perceber que se tratava de um conjunto legitimamente esportivo. Após quase 100 minutos de queima e adaptação (tempo curto para uma adaptação perfeita), voltei para a linha de
largada e iniciar os testes de Slalom. De calcados novos nos pés, entrei firme no cone 1, o qual contornei facilmente e comecei a contornar a seqüência e prevendo as reações do jogo original o qual esparramava um pouco, eu tinha na memória uma
antecipação de reações do carro. Meus antigos limites memorizados foram por água a baixo. Literalmente estava com um carro totalmente novo e reações do carro e a antecipação dos movimentos tiveram que ser aprendidas na marra e em pouco tempo.
Atropelei por duas ceves o cone 5 devido a esta diferença.
Depois de mais algumas adaptações e acertos de meus braços, pernas e cérebro, iniciamos as passagens valendo tempo. Já com as reações mais afinadas e
muita conversa com o Focus, entrei no cone 1 com velocidade cravada a 50km/h. Conforme ia contornando os cones 2,3,4,5 tinha a nítida impressão que poderia acelerar mais forte, mas infelizmente o motor original não deu espaço para isso, infelizmente. No contorno do
mortal cone 6 para a entrada do 7 a diferença foi absurda. O carro tem suas reações melhoradas em pelo menos 40%. Todas as reações passaram a ser muito mais rápidas e precisas. A menor correção ou contra esterço no volante, o mesmo respondia prontamente, passando
uma agradável e ótima sensação de segurança. O mortal cone 6 foi contornado com 5km/h a mais do que o anterior, mas durante os cones 7,8 e 9, pudemos sentir uma reação contraria da suspensão dianteira. Estas curvas são feitas em maior velocidade e fazem com que
as barras estabilizadoras, amortecedores e molas funcionem ao Maximo. Como se trata de um carro mole (original e confortável), equipado com pneus extremamente esportivos, senti o excesso de inclinação da carroceria, o que fez com que o carro patinasse demais na
saída destes cones, tamanha aderência proporcionada pelos pneus. Tive que acalmar a aceleração e equilibrar a inclinação da carroceria provocando uma antecipação do esterçamento do volante. E pronto, as rodas traseiras chegavam a trepidar de tanta pressão. Melhorei
o tempo de percurso em mais de 1 segundo. Foram 29,88s no melhor tempo, e em uma experiência de resultado surpreendente. Os pneus Yokohama se portaram com tamanha maestria no Slalom, que decidimos repetir por mais duas vezes o mesmo percurso. Provaram que são
capazes de proporcionar muita segurança aliada a uma esportividade impressionante. É claro que o conforto é menor devido a diferença entre a altura dos pneus. O original possui perfil 70 que é feito para ser confortável e mais maleável me sua banda lateral.
O Yokohama que possui um perfil 40 é esportivo, pois a banda de rodagem menor proporciona melhora na estabilidade direcional nas movimentações laterais.
FRENAGEM COM PNEUS E RODAS ORIGINAIS
Com o carro original percorremos em condição de frenagem controlada (sem perder a tração dos pneus) percorremos 40,21m. O carro permaneceu equilibrado e em nenhum momento senti desvio de trajetória ou fadiga dos freios, apenas uma pequena falta de aderência
(40cm) na roda esquerda, na primeira das 4 passagens. O melhor espaço foi em 40,21m na passagem ideal.
FRENAGEM COM PNEUS E RODAS ESPORTIVAS
Nos testes de frenagem de 100 km/h a 0 km/h, pudemos ver o quanto ganhamos em segurança quando substituímos o conjunto de rodas e pneus esportivos deste naipe.
Após aguardarmos a baixa da temperatura dos freios, calcamos o carro com o jogo esportivo de rodas OZ e pneus Yokohama. Foi então que pudemos ver, a real capacidade do conjunto em uma situação de emergência.
Além de propiciar uma direção mais controlada e ágil, durante a primeira frenagem percebi nitidamente que podia aumentar ainda mais a pressão no pedal do freio sem que perder a aderência. Tanto que a primeira fiz 35,64m e na melhor frenagem marquei 32,79m.
Se foram 7,42m de diferença em uma frenagem a 100 km/h imaginem a 150 km/h. Foi o resultado que mais me agradou, pois em uma situação de emergência, estes 7 metros significam quase 10 km/h de impacto. Uma segurança surpreendente.
CONCLUSÃO
Fazer um teste comparativo entre os dois pneus seria obviamente desfavorável a qualquer pneu comum contra um monstro esportivo deste naipe. O teste foi apenas para sentirmos e passarmos aos nossos leitores o que ganhamos quando melhoramos o conjunto de
rodas e pneus, fazendo assim um legitimo tuning, conseguindo aliar segurança e conforto com muita esportividade. Mesmo sem estar com uma suspensão adequada ao uso esportivo, que será o próximo passo nos testes, ganhamos e muito com a substituição do
conjunto OZ/Yokohama. A melhora com esta substituição foi alem das expectativas. A capacidade de aderência proporcionada pelos pneus Yokokama AVS Sport, comprova a fama e a qualidade da marca. Não é a toa que são pneus que equipam um dos melhores carros
esportes do mundo e são largamente utilizados em diversas competições no mundo inteiro. As rodas OZ Superleggera, também dispensam comentários. Possuem qualidade de construção impar em sua categoria. O acabamento esmerado d parte externa é espelhado internamente.
Nada de rebarbas ou falhas de usinagem. Alem disso pesam cerca de 20% a menos que rodas do mesmo tamanho de seus concorrentes. O investimento nas rodas e pneus é muito baixo, principalmente se pensarmos nos ganhos em estabilidade e segurança. Aprovados com todos os méritos e honras.
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