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 Cuidados com a embreagem

Antes de falarmos da embreagem propriamente dita, precisamos abordar alguns conceitos físicos que ajudam a explicar os princípios do seu funcionamento, que na verdade, é muito simples. Vamos falar de atrito. Toda vez que um corpo desliza ou tenta deslizar sobre outro, surge uma força chamada atrito que tenta impedir este movimento. Quanto maior a compressão de um corpo sobre outro, maior será o atrito. A embreagem faz uso do atrito para transmitir o movimento de rotação do motor à caixa de transmissão. É importante lembrar também que o atrito produz calor. Por exemplo, nós esfregamos as mãos uma contra a outra com força, quando está frio no inverno, justamente para aquecê-las.

Para utilizar o movimento de rotação do motor, é necessário um acoplamento seguro, capaz de transmití-lo. Nos veículos a embreagem transmite a rotação do motor à caixa de mudanças e daí para o diferencial e às rodas.
Suas funções são:
ø permitir acoplamentos suaves e sem ruídos.
ø transmitir o torque do motor para a caixa de transmissão (posição acoplada).
ø permitir a interrupção da transmissão de torque para possibillitar as mudanças de marchas (posição desacoplada).

A embreagem também age como um amortecedor de vibrações para diminuir ruídos provenientes da caixa de transmissão. Ela está localizada entre o motor e a caixa de transmissão, no interior de uma capa seca e é acionada através de um comando em pedal. A embreagem é composta por platô e disco(s), sendo que o platô é fixado diretamente sobre o volante do motor e o disco fixado ao eixo da transmissão.


Hábitos incorretos ao dirigir que prejudicam a embreagem

Existem diferentes causas que originam problemas na embreagem, devido particularmente a um uso inadequado do motorista. Veja quais os pontos de maior incidência, assim como algumas dicas que ajudarão a melhorar a utilização e a vida útil da embreagem.

Evite sempre acionar e desacionar bruscamente a embreagem para aumentar o torque ou alterar a rotação do motor quando se encontrar em uma velocidade compatível.

Utilize o pedal da embreagem somente no momento da troca de marcha. Quando o motorista descansa o pé sobre o pedal, isto provoca um aquecimento excessivo do sistema e um desgaste prematuro dos componentes.

Não inicie bruscamente a marcha, evitando arrancadas bruscas.

Nunca segure o veículo numa rampa utilizando a embreagem como freio. Este hábito causa um desgaste excessivo do disco. Nestas situações utilize sempre o freio do veículo.

Nunca saia com o veículo em segunda marcha.

Evite sempre ultrapassar a capacidade de carga especificada pelo fabricante do veículo, porque afetará o funcionamento da embreagem e diminuirá a vida útil da mesma.

Evite reduções bruscas de velocidade, freiando ou desacelerando subitamente o motor.


Testando a embreagem

Teste 1: Dificuldade no engate

Puxe o freio de mão. Em marcha lenta, pise na embreagem e espere 4 segundos. Engate a marcha ré, que deve entrar sem dificuldades. Sem tirar o pé da embreagem, movimente a alavanca de câmbio para as outras marchas. Agindo desta forma, os engates deverão ocorrer sem ruído ou dificuldade.

Teste 2: Patinação

Puxe o freio de mão. Engate a terceira marcha. Mantenha o motor na rotação de torque máximo. Retire o pé da embreagem rapidamente e acelere ao mesmo tempo. Se a embreagem estiver boa, o motor deve morrer imediatamente. Se não for este o caso, ocorrendo um tempo prolongado de patinação ou mesmo aumento da rotação do motor, há um claro sinal de problemas na embreagem. Importante: devido ao superaquecimento, não repita esta operação mais de duas vezes seguidas.


Tabela de diagnósticos e soluções

Sintoma

Diagnóstico

Causa

Embreagem não engata

Mola de retrocesso empenada

ø Uso de marcha alta com velocidade baixa
ø Reduções bruscas

Molas de amortecimento axial separadas do disco

ø Desalinhamento entre motor e câmbio
ø Aplicação incorreta
ø Reduções bruscas

Disco empenado

ø Falta de lubrificação do eixo piloto
ø Disco foi forçado durante a instalação

Disco quebrado

ø Uso da marcha alta com velocidade baixa
ø Pé retirado rapidamente da embreagem
ø Pancada durante a instalação

Mola de retrocesso quebrada

ø Uso de marcha alta com velocidade baixa
ø Reduções bruscas

Cubo oxidado

ø Pouca lubrificação no eixo piloto
ø Falta de vedação da caixa seca
ø Veículo parado por muito tempo

Cubo com desgaste

ø Excesso de curso no mancal de embreagem

Miolo do disco destruído

ø Uso de marcha alta com velocidade baixa
ø Reduções bruscas
ø Aplicações incorretas

Quebra na mola membrana

ø Excesso de curso no mancal de embreagem
ø Motorista com pé na embreagem

Mola de retrocesso deformada

ø Uso de marcha alta com velocidade baixa
ø Reduções bruscas

Alavanca quebrada

ø Platô mal apertado na montagem do volante
ø Rolamento engripado
ø Quebra durante instalação

Embreagem patina

Revestimento queimado

ø Volante em mal estado ou profundidade incorreta
ø Contaminação com óleo ou graxa
ø Mau uso

Revestimento solto

ø Volante em mau estado
ø Reduções bruscas

Disco com desgaste total

ø Fim da vida útil

Embreagem patina e vibra

Contaminação com óleo e graxa

ø Excesso de lubrificação no eixo piloto
ø Contaminação por centrifugação
ø Vazamento

Ruído no acionamento

Dedos da mola membrana quebrados

ø Desgaste acentuado no mancal de embreagem
ø Excesso de curso no mancal de embreagem
ø Danificado durante a instalação

Travas do mancal quebradas

ø Montagem com auxílio de chave de fenda

Rolamento travado

ø Mau uso, motorista com pé na embreagem
ø Regulagem incorreta, falta de folga entre mola, membrana e mancal

Desgaste nos dedos da mola membrana

ø Tubo guia com desgaste excessivo
ø Mau uso, motorista com pé na embreagem

Bucha do mancal solta

ø Desalinhamento do tubo guia
ø Garfo desgastado em seu ponto de contato

Pista com desgaste

ø Excesso de curso
ø Mau uso
ø Tubo guia desalinhado

Ruído na transmissão

Estriado do cubo com desgaste acentuado

ø Eixo piloto com desgaste excessivo

Pista com desgaste

ø Molas de amortecimento quebradas ou ausentes
ø Uso de marcha alta com velocidade baixa
ø Reduções bruscas

Trepidação

Superaquecimento da placa de pressão

ø Contaminação com óleo ou graxa
ø Volante em mau estado
ø Mau uso

Vibração

Dente da mola deformado

ø Deformação provocada na instalação

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